sábado, 25 de setembro de 2010

Mudanças na Prática Pedagógica/Percepção de Novas Aprendizagens



     Há certo tempo venho refletindo acerca de como a criança aprende. Em várias Interdisciplinas do Curso de Pedagogia nos Eixos I, II E III se discute a importância do sujeito como agente ativo no seu processo de aprendizagem. São vários os “pensares” e “dizeres” em relação à metodologia mais eficiente para dar conta do crescimento e desenvolvimento cognitivo e intelectual do aluno. No entanto tenho percebido que o curso procura nos conduzir a enxergar o aluno como ser pensante, a compreender que nada substitui a força do olhar diante de seu aluno, a acreditar no educando, acreditar em suas potencialidades e capacidades e como educador ser mediador do conhecimento e não detentor num ambiente amparado pelo diálogo, pela cooperação e na valorização do educando.
     A partir da década de 80 o construtivismo piagetiano passou a se destacar nas discussões sobre a relação ensino aprendizagem e representou uma grande ruptura nas concepções tradicionais do ensino.
     Na Interdisciplina de Fundamentos da Alfabetização do Eixo II, vimos nas leituras realizadas de textos teóricos das pesquisadoras Emília Ferreiro e Ana Teberosky que as crianças estão construindo conhecimento independente dos métodos utilizados. Então a visão do educador passou a ser centrada em como a criança aprende.
     A contribuição pedagógica das estudiosas baseadas nas teorias piagetianas foi de grande importância para o entendimento acerca do papel da criança no processo de lectoescrita. Piaget é citado para apoiar que as crianças aprendem sob suas ações sob os objetos do mundo. Nesse ponto passei a entender a construção do conhecimento de forma mais simplificada, a ver a importância de práticas pedagógicas contextualizadas e significativas para o sujeito, como também a considerar a qualidade das trocas que se estabelecem entre o sujeito e a realidade.
     Também Magda Soares foi outra autora que me chamou a atenção para a dimensão social da escrita e da leitura referente essas duas facetas da aprendizagem, alfabetização e letramento. Segundo Soares (1998), é possível alfabetizar letrando, e para que isso aconteça deve haver um trabalho intencional de sensibilização, modificar nossa postura tradicional e cuidar para não reproduzirmos a forma como fomos ensinados quando fomos iniciados na aquisição do sistema lingüístico. O educador lida com a arte de educar, essa arte exige do professor uma ação criadora, transformadora de constante atualização. É preciso ter consciência de que o aluno traz consigo conhecimentos prévios provenientes de sua vida familiar, da comunidade onde vive e dos grupos de convívio, portanto dessa forma, as situações em que a criança interage com a língua escrita anterior e externamente à escola, e todas as suas tentativas de ler e escrever devem ser valorizadas e resgatadas como parte do processo de alfabetização. Aprendi que o caminho já foi iniciado pela própria criança e antes a criança vista como objeto passiva perante estratégias e técnicas de ensino, passa a ser considerada como ser pensante, interpreta e age, elaborando e aprimorando esquemas cognitivos para compreender ativamente o mundo que a cerca.
     Nessa caminhada, aprendi a compreender até como meus filhos elaboram o conhecimento, suas ações e reações perante o objeto de interesse, pois olhando as atividades realizadas algumas práticas realizei com eles, a aprendizagem para mim se estendeu desde o campo profissional até o familiar, o que foi muito prazeroso.

2 comentários:

Fabiana disse...

Monica,
tua postagem é contextualizada e pontua tuas aprendizagens e reflexões realizadas em relação a alfabetização e letramento, a partir das interdisciplinas trabalhadas e citadas, como também sinaliza tuas aprendizagens e situações vivenciadas na prática pedagógica tanto em sala de aula, como em teu contexto familiar.
Parabéns pela articulação de idéias em relação a teoria e a prática...
Seguimos rumo ao mês de outubro..
Abração

Mônica disse...

Oi Fabiana!

Valeu pelo comentário, fico feliz que esteja sendo clara nas minhas idéias, me fazendo entender. Escrever é um ato que envolve complexos processos cognitivos, e mesmo adultos, também estamos envolvidos constantemente em várias práticas de letramentos.

Um abraço!