sábado, 21 de novembro de 2009


Educação dos Surdos

A educação de surdos teve uma longa história de lutas e transformações, que discutia qual o melhor método a ser utilizado na escolarização destes. Durante os estudos empreendidos na Interdisciplina de Língua Brasileira de Sinas – Libras, percebi por meio das leituras realizadas o quanto somos alheios a questões sociais tão atuais e importantes, me surpreendi ao descobrir o quanto os surdos eram descriminados, o quanto sofreram e ainda sofrem preconceito no meio social, e a idéia errada que tínhamos acerca de que todo surdo é mudo, uma concepção historicamente construída e que é sustentada por muitos ainda nos dias de hoje, quando na verdade o surdo tem sua cultura e língua própria.
A surdez é mais que uma condição médica, fisiológica, os surdos desenvolveram uma cultura diferenciada, com língua natural que lhes confere autonomia, identidade. Ao analisar  a história dos surdos vimos que estes eram considerados intelectualmente inferiores, antes de Cristo eram tidos como seres diabólicos, incomuns, na antiguidade não tinham direito a cidadania, privados de freqüentar escolas, casar, enfim, sujeitos as mais variadas formas de discriminação.
Outro fato que me chamou a atenção, a questão do método oralista, que consistia na leitura labial predominar aproximadamente cem anos, e tinha a filosofia de que “sem fala não existe pensamento”, ou seja, era o mesmo que dizer que os surdos não podiam pensar, até mesmo professores surdos eram afastados do seu trabalho por conta do oralismo, não era permitido que o próprio surdo decidisse, levantasse sua voz, o ensino era estruturado para ouvintes, as escolas não se adequavam as necessidades dos surdos.
Em face de toda essa filosofia excludente, os surdos passaram a reivindicar seus direitos e provar sua capacidade intelectual e social, e buscar reconhecimento político como sujeito completo e não deficiente, com identidade, cultura e língua própria.
O reconhecimento da cultura surda e o rompimento do preconceito acerca do sujeito surdo implicam mudanças na proposta de ensino nas escolas, como a introdução da Língua de Sinais no currículo, a contratação de professores surdos ou que saibam Libras, o fim da política de inclusão-integração escolar que trata o surdo como deficiente, e a oferta de recursos que enriqueçam o conteúdo de acordo com o contexto do sujeito surdo, sendo necessária uma reestruturação da escola que não será mais só para ouvintes no sentido de garantir uma educação de qualidade para todos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009



 Educação de Jovens e Adultos

No decorrer desse semestre a Interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos me levou a entender as especificidades dessa modalidade de educação. De acordo com os textos de Marta Khol, a CEB n° 11/2000 de Carlos Roberto Jamil Cury , a EJA compreende a educação como uma chave indispensável para o exercício da cidadania na sociedade contemporânea, e que se estende a todos aqueles que não tiveram acesso ou permanência na escola de ensino regular. Fazer a reparação dessa realidade é uma dívida inscrita em nossa história social, é um imperativo e uma das funções da EJA, que reconhece para todos os advento do principio de igualdade.
Antes dos estudos empreendidos acerca dessa modalidade de ensino, eu pensava que a EJA era uma chance de alfabetizar aqueles que ainda não eram alfabetizados, que tratava somente dessa questão, não fazia idéia que ia além, não sabia das funções que esta desempenhava. Vimos que a EJA representa uma dívida social não reparada para com os que não tiveram acesso e nem domínio da escrita e da leitura como bens sociais, na escola ou fora dela, independente dos motivos que levaram o sujeito a enfrentar a ausência de escolarização.
Hoje a sociedade contemporânea valoriza muito a escrita e a leitura como bens relevantes para a vida em sociedade, para se ter uma cidadania plena. Embora se saiba que essa condição não nos dá direito de justificar uma visão preconceituosa acerca do analfabeto ou iletrado, os colocando em condições de excluídos, ou vocacionando-os a trabalhos menos qualificados como lemos na CEB nº 11/2000.
A EJA, esta assentada no princípio de igualdade e de liberdade, possui três funções de destaque, a reparadora, que garante a restauração do direito negado de uma escolarização, também o direito a uma escola de qualidade elevando o sujeito ao principio de igualdade, a “função equalizadora” que garante a reentrada no sistema educacional dos que tiveram uma interrupção forçada dos estudos pelas desiguais oportunidades de permanência na escola ou outras condições adversas, procurando inserir o individuo no mundo do trabalho e na vida social. A promessa de qualidade de vida para todos e a atualização constante do conhecimento por toda a vida é a sua função permanente e,  se caracteriza por melhor capacitação para o mundo do trabalho e a vida social.
 A EJA deseja educar para o universalismo, para a solidariedade, a igualdade e a diversidade. Dentro deste caráter ampliado, os termos “jovens e adultos” indicam que em todas as idades e em todas as épocas da vida é possível se formar, e desenvolver e constituir conhecimentos, habilidades, competências e valores que conduzam a realização de si e ao reconhecimento do outro como sujeito.