Educação dos Surdos
A educação de surdos teve uma longa história de lutas e transformações, que discutia qual o melhor método a ser utilizado na escolarização destes. Durante os estudos empreendidos na Interdisciplina de Língua Brasileira de Sinas – Libras, percebi por meio das leituras realizadas o quanto somos alheios a questões sociais tão atuais e importantes, me surpreendi ao descobrir o quanto os surdos eram descriminados, o quanto sofreram e ainda sofrem preconceito no meio social, e a idéia errada que tínhamos acerca de que todo surdo é mudo, uma concepção historicamente construída e que é sustentada por muitos ainda nos dias de hoje, quando na verdade o surdo tem sua cultura e língua própria.
A surdez é mais que uma condição médica, fisiológica, os surdos desenvolveram uma cultura diferenciada, com língua natural que lhes confere autonomia, identidade. Ao analisar a história dos surdos vimos que estes eram considerados intelectualmente inferiores, antes de Cristo eram tidos como seres diabólicos, incomuns, na antiguidade não tinham direito a cidadania, privados de freqüentar escolas, casar, enfim, sujeitos as mais variadas formas de discriminação.
Outro fato que me chamou a atenção, a questão do método oralista, que consistia na leitura labial predominar aproximadamente cem anos, e tinha a filosofia de que “sem fala não existe pensamento”, ou seja, era o mesmo que dizer que os surdos não podiam pensar, até mesmo professores surdos eram afastados do seu trabalho por conta do oralismo, não era permitido que o próprio surdo decidisse, levantasse sua voz, o ensino era estruturado para ouvintes, as escolas não se adequavam as necessidades dos surdos.
Em face de toda essa filosofia excludente, os surdos passaram a reivindicar seus direitos e provar sua capacidade intelectual e social, e buscar reconhecimento político como sujeito completo e não deficiente, com identidade, cultura e língua própria.
O reconhecimento da cultura surda e o rompimento do preconceito acerca do sujeito surdo implicam mudanças na proposta de ensino nas escolas, como a introdução da Língua de Sinais no currículo, a contratação de professores surdos ou que saibam Libras, o fim da política de inclusão-integração escolar que trata o surdo como deficiente, e a oferta de recursos que enriqueçam o conteúdo de acordo com o contexto do sujeito surdo, sendo necessária uma reestruturação da escola que não será mais só para ouvintes no sentido de garantir uma educação de qualidade para todos.